Cátedra Edward Saïd:Estudos da Contemporaneidade

Programação

Local - Anfiteatro Leitão da Cunha. Horário: 17 horas, toda última segunda--feira do mês.

 

2017

27 de março Maurício Marsola Os Bárbaros: o Si mesmo e o Outro
24 de abril Andrea Piccini Arquitetura do Oriente médio ao Ocidente: do  Mediterrâneo a Florença
29 de maio Geraldo Campos Memória do desaparecimento: o cinema palestino e exílio
26 de junho Marilena Chaui A invenção ocidental do Oriente
28 de agosto Massimo Canevacci Edward Saïd e as identidades em diáspora
25 de setembro  Eduardo Kickhofel Medicina árabe e artes no Renascimento italiano
30 de outubro Giacomo Marramao Passagem ao Ocidente
27 de novembro Soraya Smaili O Oriente inventor do Ocidente


 

 

2017


27 de março, Maurício Pagotto Marsola: “Os Bárbaros: o Si mesmo e o Outro”.
O Si mesmo e o Outro: transformações filosóficas da figura do estrangeiro no mundo grego antigo.
Trata-se de apresentar o variegado quadro da figuração do estrangeiro no mundo grego antigo, como na  afirmação platônica de que a identidade se configura pela diferença. Esta não marca apenas a identidade, mas é também um elemento de espanto, de maravilhamento e de transformação. Neste sentido. O pensamento de alguns sofistas, muitos dos quais eran estrangeiros nas cidades, como Isócrates, desenvolvem  a ideia de “pertença” a uma determinada cidade para além da naturalidade. Desse ponto, podemos encontrar as origens da categoria da xeniteia (“estrangeiridade”) que chega até o grande ecúmeno do pensamento filosófico tardo-antigo.


24 de abril, Andrea Piccini: “Arquitetura do Oriente médio ao Ocidente: do  Mediterrâneo a Florença”.
Trata-se de um estudo dos elementos arquitetônicos históricos, socioculturais e socioeconômicos que revelam a formação do Humanismo e da Arquitetura em Florença, em particular, em que suas  relações com o Oriente islâmico configuraram o Renascimento, dando uma nova vida aos debates acadêmicos tradicionais, que dizia respeito à continuidade entre tradições intelectuais medievais e da Renascença, visão modificada pelo rebatimento de uma arquitetura que  foi a base da Renascença em Florença.

29 de maio, Geraldo Campos: Memória do desaparecimento: o cinema palestino e exílio.
 A arte palestina contemporânea lida com a produção de um olhar da presença-ausente, no qual se expressam diferentes temporalidades, que enfrentam a espera e o retorno como forma de relação com a perda e a ocupação territorial. Partindo da obra de alguns artistas, a apresentação busca pensar a questão do tempo e da política neste campo estético. 

26 de junho, Marilena Chaui: "A invenção ocidental do Oriente". 
O Mediterrâneo, que foi, simultaneamente , judaico, cristão otomano e muçulmano, suscitou, desde as Cruzadas, o imaginário ocidental de que a designação simbólica de Levante ou Oriente é a expressão.Espaço sagrado do nascimento do dia na aurora da civilização, este termo é bem mais que geográfico, o Oriente sendo a projeção fantasmática forjada pela mentalidade ocidental em seu projeto de dominação simbólica, política e histórica. 

28 de agosto, Massimo Canevacci: “Edward Saïd e as identidades em diáspora”.
A apresentação parte de Edward Saïd, e reflete sobre a possibilidade de haver muitos e diferenciados “Orientes” e “Ocidentes”.  Uma visão etnográfica - adequada à pesquisa e à critica dos conflitos históricos e atuais - não pode reproduzir esta dicotomia geopolítica “imaginaria”, mas procurar itinerários lógicos e  sensíveis diferenciados, Porque exilado de todo sentimento de localidade, um “ expatriado transcendental”, Saïd favoreceu o inicio dos estúdios culturais.

25 de setembro, Eduardo Kickhofel: "Medicina árabe e artes no Renascimento italiano".
Avicena (c. 980-1037) foi um dos diversos filósofos islâmicos que começaram a serem lidos na Europa nos séculos XII-XIII. Famoso como médico, foi citado por Mondino de’ Liuzzi em seu tratado Anatomia, escrito em Bologna por volta de 1316, e sua influência fez sentir até meados do século XVI. Também foi lido por escultores e pintores florentinos do século XV. Lorenzo Ghiberti, artífice maior do Renascimento italiano e autor das duas principais portas do Batistério de Florença, cita o Cânone de Avicena no fim de seu tratado Os comentários, e Leonardo da Vinci fez uso de palavras e teorias de Avicena em seus estudos de anatomia, as quais ele conhecia sobretudo de edições latinas e italianas do tratado de Mondino. Assim, fontes de época atestam a influência de Avicena em grandes artífices de Florença, cidade que no século XV era o centro da cultura italiana e europeia.

30 de outubro, Giacomo Marramao: "Passagem ao Ocidente".
Trata-se de analisar os conceitos de Oriente e Ocidente  segundo seus trânsitos históricos, considerando-os como categorias históricas e geopolíticas, ideológicas e religiosas, à luz da Globalização e do cruzamento de suas alteridades, na passagem do pluralismo dos interesses ao pluralismo das identidades. Neste sentido, é também uma tentativa de estabelecer uma genealogia de alguns pressupostos filosóficos da teoria do orientalismo de Edward Said: do "modo de produção asiático" de Marx à crítica de Nietzsche, da tese de "idade axial" de Karl Jaspers aos recentes desenvolvimentos de "estudos pós-coloniais".

27 de novembro, Soraya Smaili: “O Oriente inventor do Ocidente”.
Trata-se de analisar a fundação do pensamento científico ocidental na linhagem da Ciência Árabe que, com seus conhecimentos de matemática, álgebra, astronomia, geografia, medicina e arquitetura, em particular, contribuíram primordialmente para nouvelle vague europeia, das grandes Navegações às descobertas da Química moderna. 

 

 

 

 

 

2016

2016: 28 de março, Olgária Matos: “Derrida e o monolingüismo: da razão pura à razão marrana”.
Em O Monolingüismo do Outro, Derrida reflete sobre as questões do estrangeiro e do autóctone, da  identidade e  da diferença, do pertencimento e do desenraizamento ,criticando a noção de Origem do pensamento dualista que opõe o Eu ao Outro, o amigo e o inimigo, mostrando os contágios e disseminações a partir da condição do marrano e das duplas sinceridades.

25 de abril, Mamede Jarouche: “História de um outro oriente: as viagens do narrador de Aladim e Ali Babá".
O primeiro tradutor das 1001 noites a uma língua ocidental, o francês Antoine Galland, relata em seus diários ter ouvido, em Paris, algumas histórias da boca de um maronita sírio de Alepo chamado Hanna Diap, que entre outras histórias lhe contara as de Aladim e Ali Babá. No entanto, esse Hanna Diab jamais teve existência, nas fontes escritas, fora dos diários de Galland, até que, finalmente, seu relato de viagem, composto em árabe, foi encontrado na Biblioteca Apostólica Vaticana. Com base nesse diário, redigido de próprio punho ou ditado a algum escriba, pode-se ter uma ideia da mentalidade desse homem cujas histórias tiveram tanta importância no imaginário ocidental.

30 de maio, Gabriel Cohn: “Um mundo, muitos mundos, nenhum mundo: exílio, identidade e busca”.
Ponto de partida é evento real. Buscando abrigo no Brasil para escapar ao nazismo, família judia alemã depara-se, ao chegar ao Rio de Janeiro, com imensa bandeira alemã com a cruz gamada desfraldada no cais do porto. Reconstrução esperançosa da vida ou repetição traumática? O exílio foi mesmo uma saída, um deixar para trás? Haverá como se reencontrar nessas condições? Exatos 80 anos passados permitem recolocar as questões da saída, da busca, da esperança, ou ilusão, de marcar seu lugar em solo hospitaleiro à luz da dificuldade, própria a uma contemporaneidade fragmentada, de converter a mera fuga em exílio e a espera passiva em experiência viva.

27 de junho, Élide Rugai Bastos: “O não europeísmo da sociedade ibérica”.
Partindo da obra de autores ibéricos e brasileiros, a palestra abordará a presença de elementos orientais na formação da Península Ibérica e, por extensão, das colônias hispânicas e portuguesa na América Latina. Autores como Ortega y Gasset, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, entre outros, discorrem sobre a organização dessas sociedades e a configuração cultural das mesmas explorando essa temática. O tema contribui para a discussão sobre o papel dos intelectuais nesses países.

29 de agosto, Jamil Iskandar: Gibran Khalil Gibran e o Nacionalismo Árabe".
A Consciência dos árabes sobre sua completa existência social, uma consciência interna e não simplesmente baseada no conhecimento objetivo externo, de modo que a imagem da comunidade como um complexo espiritual e vivo está sempre presente em sua mente. Todo árabe deve sentir comuma compulsão instintiva a existência de ligações fortes de tal modo que a comunidade é transferida para ele da externalidade da vida para a internalidade da alma. Assim Abdullah al-Alayili define o nacionalismo árabe! Não há como negar que Gibran foi um ilustre nacionalista árabe; filósofo e artista talentoso. Estava atento  para que este nacionalismo não interferisse em seu trabalho artístico. É interessante notar que à medida que Gibran se tornou respeitado em Nova York,  mais ele se identificava com a sua origem étnica.

26 de setembro, Jorge Coli: “Autoritarismo da Modernidade”.
As utopias totalitárias que a história registrou no século XX fazem parte de uma magna utopia, mais difusa do que as anteriores, e, por isso mesmo, mais insidiosa. O projeto disciplinar da modernidade, de natureza autoritária, formou, de modo exemplar, uma configuração utópica muito ampla. Progresso, higienismo, eficácia, funcionalismo, para citar alguns deles apenas, foram elaborados ao longo do século XIX, como meios afirmativos da sociedade industrial que se impuseram com plenitude no século XX.

24 de outubro, Ismail Xavier: “Ecos subterrâneos: versões do mal- estar contemporâneo no cinema latino-americano, de Lucrécia Martel a Kleber Mendonça”.
Na palestra, far-se-á uma análise comparativa de La ciénaga (O pântano - 2001), de Lucrécia Martel, e O som ao redor (2012), de Kleber Mendonça, dois mestres na composição do estranhamento pelo trabalho com a trilha sonora como elemento chave da mise-en-scène; tudo parece cotidiano, mas há um pesadelo à espreita, seja no mundo das águas turvas do ócio familiar em Salta, condensado da depressão argentina, seja na arqueologia do bairro chique de Recife, condensado dos ressentimentos embalados pela “modernização truncada”.

28 de novembro, Marilena-Chaui: "A invenção ocidental do Oriente",
que foi, simultaneamente , judaico, cristão, otomano e muçulmano, suscitou, desde as Cruzadas, o imaginário ocidental de que a designação simbólica de Levante ou Oriente é a expressão.Espaço sagrado do nascimento do dia na aurora da civilização, este termo é bem mais que geográfico, o Oriente sendo a projeção fantasmática forjada pela mentalidade ocidental em seu projeto de dominação simbólica, política e histórica. 

 

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